Os Quatro Pilares da Sustentação da Família
Pr. Josué Gonçalves
O
casal é a espinha dorsal da família e a família é a célula máter da
sociedade. Com base nestas duas verdades, vamos rever quais são os
aspectos funcionais da união conjugal e como podemos desenvolver uma
cultura familiar nutridora. Lembre-se, ninguém melhor do que o
idealizador da família, que é Deus (Sl 127:1), para dizer como ela deve
ser e funcionar. A Bíblia é "o Manual" que ensina todos os passos para
se construir um projeto de vida em família que realmente vale a pena.
Quando Deus planejou a família não a deixou para que o homem a
edificasse da sua maneira, muito pelo contrário, ele deixou princípios
que devem nortear toda a construção do projeto. Vejamos quatro
princípios imprescindíveis que são como colunas de sustentação na
edificação Da família:
I. INDEPENDÊNCIA GRATA.
"Por
isso DEIXA o homem pai e mãe..." (Gn 2:24a) O casamento implica em
romper o cordão umbilical de dependência dos pais, é um deixar em três
aspectos importantes: geográfico, emocional e financeiro. É sempre bom
lembrar que o texto diz deixa, o que é bem diferente de abandona. A
causa do fracasso de muitos relacionamentos, é porque o marido ou esposa
depois que se casaram deram as costas aos pais abandonando-os. Há um
mandamento na Palavra que
Diz:
"Honra teu pai e tua mãe ... Para que tudo te corra bem e tenhas longa
Vida sobre a terra". (Ef 6:2,3) Gosto de um pensamento que os
agricultores usavaram em uma campanha nos Estado Unidos: "Se não gosta
do que esta colhendo, olhe para traz e veja o que você plantou", isso se
aplicada aqui também. Essa independência tem que ser com muita
gratidão, é um deixar para voltar a fim de assistir, cuidar, abraçar e
honrar os pais.
Um
Deixar geográfico - Há um adágio popular muito conhecido que expressa
uma grande verdade: "Quem casa, quer casa". Não é prudente o casal logo
no inicio da vida a dois, ir morar com os pais. Aqueles que estão
começando a caminhada conjugal, precisam aprender e amadurecer assumindo
com responsabilidade todas as implicações da vida a dois, o que não
acontece se eles estiverem morando com os pais. Seria interessante que o
casal começasse a construção do seu projeto de vida conjugal em seu
próprio "ninho - casa". A privacidade é fundamental para que a relação
se desenvolva e os dois cresçam.
Deixar
emocional - A privacidade de um lar depende dos limites que o casal
estabelece para que sejam respeitados. Onde não há respeito aos limites,
não há privacidade. Alguns conflitos conjugais são, muitas vezes,
expressão de conflitos de lealdade com a família de origem que não
consegue afrouxar e transformar os laços familiares para conseguir
ligar-se ao parceiro e formar uma base de uma nova família. Os pais
precisam entender que os filhos são temporários e o casamento é
permanente. Quando há compreensão desta realidade,
Acaba
a competição entre nora e sogra e a convivência é facilitada. O segredo
está no respeitar os limites que o casamento impõe em relação a família
de origem.
Deixar
financeiro - O que dizer dos
pais que superprotegem o filho casado, bancando tudo? Sempre que os
pais assumem todas as despesas, a tendência é eles sentirem-se donos do
casamento do filho. Não seria esta uma das causas dos grandes conflitos
em muitos casamentos? Os pais devem ensinar os filhos a pescar, e não
passar a vida toda dando peixe nas mãos deles. Tenho insistido nas
minhas palestras com os jovens, que o casamento deve acontecer quando o
casal tiver condição de se auto-sustentar, para que haja um "deixar"
financeiro em relação os pais. Não estou afirmando que os pais não devem
ajudar os filhos em tempo de dificuldade. Sou contra o comodismo de
muitos filhos e a incensates dos pais que não ensinam os filhos a irem a
luta.
Casais que
vivem na dependência financeira dos pais por causa do comodismo, não
crescem no relacionamento conjugal e se tornam um peso para família.
II.UNIFICAÇÃO - Aliança
"...e
se UNE à sua mulher..." (Gn 2:24b) O termo unir ou apegar (como em
algumas traduções) lembra a mesma palavra hebraica usada no livro de
Josué 23:8. Apegar aqui significa juntar, afeiçoar, adaptar, agarrar,
unir, atar, conciliar, harmonizar, ligar, fundir, soldar, associar,
colar uma parte na outra, esse é o sentido da união conjugal. No livro
de Malaquias há um texto que descreve a seriedade do casamento aos de
Deus: "E vocês ainda perguntam: 'Por quê?' É porque o SENHOR é
testemunha entre você e a mulher da sua mocidade, pois você não cumpriu a
sua promessa de fidelidade, embora ela fosse a sua
companheira, a mulher do seu acordo(aliança) matrimonial. Não foi o
SENHOR que os fez um só? Em corpo e em espírito eles lhe pertencem. E
por que um só? Porque ele desejava uma descendência consagrada.
Portanto, tenham cuidado: Ninguém seja infiel à mulher da sua mocidade.
'Eu odeio o divórcio', diz o SENHOR, o Deus de Israel, 'e também odeio
homem que se cobre de violência como se cobre de roupas', diz o SENHOR
dos Exércitos. Por isso, tenham bom senso; não sejam infiéis". (Ml
2:14-16) É bom deixar claro que, o texto não diz que Deus odeia os
divorciados, isto porque em determinadas situações a separação é como
uma saída de emergência. Sem dúvida, se dependesse só de Deus, não
haveria divórcio. Quando uma separação de casal acontece, ninguém ganha!
Por
que Deus odeia o divórcio? Porque o
casamento foi planejado para ser uma união monógama (o ideal de Deus:
um homem para uma mulher e vice-versa), exclusiva (fidelidade) e
permanente (não é uma relação descartável). Ainda que muitos tentem
provar o contrário, esse é o plano original de Deus para os homens.
III.UNIÃO CARNAL - procriação e recreação.
"... Tornando-se os dois uma só carne..." (Gn 2:24c)
Procriação - (União Física - Biológica) Um dos aspectos funcionais do
Casamento
é a perpetuação da raça humana, isso está explicitado em Gn
1:28b: "Deus os abençoou, e lhes disse: 'Sejam férteis e
multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra'!..." (BNVI) Há casais que
fazem a opção radical de não ter filhos, essa decisão pode no futuro ser
a causa de conflitos, desajustes e infelicidade conjugal. Filhos são
herança do Senhor (Sl 127:3) e
traz
equilíbrio na relação de casal, tê-los não é opcional, é uma
necessidade. Quando o casal em função de um problema de infertilidade
não pode gerar filhos biológicos, eis uma grande oportunidade para gerar
a partir do coração (adoção). Casais que adotam crianças, repetem o
gesto de Deus, pois Ele só tem um filho legítimo (Jesus) os demais são
todos adotados, inclusive eu e você. (Rm 8:15)
Recreação -
(União emocional) Não se pode negar a volúpia sexual (Pv 5:19). A
satisfação que o sexo fornece é o
prazer obtido de reafirmação do preito original do mútuo amor. Sem o
prazer do sexo, sem a união física, o casamento se torna platônico,
estéril e ilusório. A Bíblia é muito rica quando se trata do prazer
proporcionado pelo ato conjugal. Há um texto em Provérbios, que numa
linguagem figurada, ensina como o casal deve usufruir desta bênção
planejada por Deus aos seus filhos.
"Beba
das águas da sua cisterna (fidelidade), das águas que brotam do seu
próprio poço. Por que deixar que as suas fontes transbordem pelas ruas, e
os seus ribeiros pelas praças? Que elas sejam exclusivamente suas,
nunca repartidas com estranhos. Seja bendita a sua fonte! Alegre-se com a
esposa da sua juventude. Gazela amorosa, corça graciosa; que os seios
de sua esposa sempre o fartem de prazer, e sempre o embriaguem
os carinhos dela". (Pv 5:15-19 BNVI) Paulo o apóstolo, também se
preocupou com o ajustamento sexual dos casais da igreja de Corinto, pois
só assim eles estariam fortalecidos para vencer as tentações. Gosto da
maneira clara como ele coloca o assunto.
"O marido deve
cumprir os seus deveres conjugais para com a sua mulher, e da mesma
forma a mulher para com o seu marido. A mulher não tem autoridade sobre o
seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem
autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher. Não se recusem
um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para
se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os
tente por não terem domínio próprio". (1 Co 7:3-5 BNVI) O que Paulo está
dizendo, é que o ajustamento sexual do casal, é a melhor maneira para
se prevenir contra os pecados sexuais.
IV.INTIMIDADE - transparência.
"O homem e sua mulher viviam NUS, e não sentiam vergonha". (Gn 2:25)
Casar
é conhecer, e só há conhecimento e intimidade quando homem e mulher se
descobrem um para o outro no relaciomento conjugal. Essa nudez na
relação de casal, deve ser mais do que física, precisa ser emocional,
psicológica e espiritual. Conheço casais que dormem na mesma cama e até
se relacionam sexualmente, mas vivem como dois estranhos, não há
intimidade, não se conhecem. Quando é que o cônjuge se desnuda
interiormente para que o parceiro (a) o conheça? Quando se constrói uma
relação de confiança e de amizade dentro do casamento. Ninguém abre as
gavetas da intimidade da sua alma, para uma pessoa que não inspira
confiança. A falta de liberdade e
segurança, faz os casais deixarem de crescer em intimidade. Quando o
casal procura desenvolver e aprofundar o compromisso de amizade e
confiança na relação, os dois crescem em intimidade e fortalecem o
casamento.
Conclusão
Quando
esses quatro princípios independência grata, fidelidade na preservação
da unidade, união sexual ajustada e intimidade física, emocional e
espiritual são levados a sério, não tem como o casal não ser feliz
contando sempre com a bênção do Senhor no relacionamento. Termino
dizendo a você que, o meu sonho é ver o maior numero possível de
famílias caminhando debaixo da graça do Senhor!
"Se sua vida não produz frutos de forma constante, Deus intervém para discipliná-lo". (Segredos da Vinha - Bruce Wilkinson)